
Neste 28 de abril, quando se celebra o Dia da Educação, o governo de São Paulo anuncia que o pagamento de quase R$ 1 bilhão em bônus a 188 mil profissionais da rede estadual de ensino será realizado na quinta-feira (30). O valor, o maior dos últimos dez anos, reconhece o trabalho de professores, gestores e equipes escolares na melhoria da aprendizagem dos estudantes.
A bonificação integra a política da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) de valorização dos profissionais da rede, com base nos resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Na edição de 2025, as escolas estaduais alcançaram a melhor média da série histórica em matemática no Ensino Fundamental, com avanço em todos os anos.
São bonificados servidores da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) que atingiram as metas individuais e/ou das unidades de ensino. No total, 3.760 escolas conquistaram a marca ‘ouro’. Desta vez, o valor médio do pagamento é de R$ 5.066,89 por profissional.
“A marca de R$ 1 bilhão em bônus é consequência de um trabalho contínuo e de dedicação dos profissionais da rede paulista. Além de matemática, houve também melhora nas notas de todas as disciplinas em relação à prova de 2024. Com aumento das médias, o valor total da bonificação e o número de servidores também cresceram. Na comparação com o pagamento do ano passado, 18% a mais de profissionais serão contemplados com o bônus”, destaca o secretário da Educação, Renato Feder.
Neste ano, a bonificação dos profissionais da educação também será atrelada aos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, aplicado a cada dois anos pelo governo federal. Professores de língua portuguesa e matemática dos 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio e equipes gestoras das escolas que cumprirem as metas estipuladas pela Seduc-SP podem receber um segundo bônus. As médias da rede estadual de São Paulo devem ser divulgadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em agosto e o depósito está previsto para o mês de setembro.
Para reverter resultados ou manter metas já elevadas, gestores de escolas paulistas traçaram diferentes estratégias ao longo do ano letivo. Em Santos, na E.E. Visconde de São Leopoldo, a aposta foi em uma combinação de três fatores: alinhamento da equipe, formação de professores e análise de dados. “A gente precisa de um professor bem instruído que chegue na sala de aula e consiga desenvolver com os estudantes as atividades previstas no currículo. Depois é a vez de analisar a Prova Paulista (avaliação bimestral da rede). A cada avaliação, sentamos juntos e discutimos quais aspectos houve evolução e quais precisavam de ajustes”, explica Analdina Martes dos Santos, diretora da escola.
“Outro caminho foi o foco nas próprias avaliações do Saresp e Saeb. Organizamos as aulas de estudo, tutoria e também eletiva para trabalhar a recomposição e o aprofundamento das disciplinas, especialmente matemática e língua portuguesa”, acrescenta a gestora. Com a meta prevista de 5.2 pontos, a unidade fechou o ciclo com 6.7 — 1,5 p.p. do que o estipulado pela Seduc-SP para a edição de 2025.
Na E.E. Professor Amador dos Santos Fernandes, na zona leste da capital, o ensino da matemática extrapolou as avaliações formais e foi um dos caminhos para atrair os estudantes e garantir um bom desempenho no Saresp. Entre as ações, a unidade criou uma moeda própria, o Amadolar, como pagamento para alunos que realizam atividades e atingem boas notas. Além disso, ao longo do ano, as turmas foram agrupadas por nível de proficiência. As mudanças já haviam sido notadas antes mesmo com os resultados da Prova Paulista. Não por acaso, a escola ultrapassou a meta (que era de 5.2) e chegou em 2025 aos 7.2 pontos. “Os professores estão muito felizes por atingirem as metas. Nós temos um grupo muito engajado e nossa palavra aqui é ‘união’. Então, não se trata de apenas uma ação. Mas é um trabalho de equipe”, admite Márcia Marcusso, diretora da unidade.
Acompanhamento individualizado e acolhimento diário
Já na E.E. Professor José Juliano Neto, de São Carlos, o desafio da gestão era atender uma escola numerosa, com quase 650 alunos, nos três turnos escolares. “O trabalho realizado pela escola teve como foco os alunos com maior dificuldade, por meio de acompanhamento individualizado ou em pequenos grupos, especialmente nos horários de tutoria e nas disciplinas eletivas. Esse apoio foi conduzido pelos professores da própria escola, com a colaboração de alunos monitores”, conta a diretora Regina Corsi. Para a edição de 2025, a meta era de 4.1. As iniciativas, no entanto, garantiram exatos 4.4. Além de ultrapassar com folga a marca definida pela Secretaria da Educação, 37 alunos da unidade foram aprovados no Provão Paulista e em outros vestibulares, incluindo dois estudantes matriculados no ensino noturno.
Em Campinas, por sua vez, a missão da E.E. Professora Consuelo Freire Brandão era como manter uma meta tão elevada. Para chegar aos 8.4, Vandete Ribeiro, diretora da unidade, acredita em uma tática que vai além da sala de aula: o acolhimento diário. “São 272 estudantes distribuídos em nove turmas com jornada integral de nove horas diárias. Todos os dias os alunos são recebidos na porta. Sabemos o nome de cada um. Também contamos com o apoio de pais e responsáveis. Esse, sem dúvida, foi o principal incentivo para chegarmos tão longe”, diz.
Cálculo do bônus do Saresp
O cálculo do bônus para os profissionais da educação é feito com base nas notas dos estudantes de todas as séries e disciplinas avaliadas no Saresp do Ensino Fundamental e Médio e nas metas por escola. São computadas a evolução na aprendizagem, a frequência do aluno e a participação dos estudantes no Saresp.
As metas por unidade de ensino servem de baliza para estipular o valor a ser pago a docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental e de disciplinas que não estão no Saresp (tais como Educação Física e eletivas), além de gestores e profissionais do quadro de apoio e projetos.
Já para professores regentes de disciplinas avaliadas, a apuração dos resultados é proporcional à carga horária. Para aqueles que atribuem em mais de uma escola ou, ao mesmo tempo, em disciplinas avaliadas e não-avaliadas (tais como matemática e educação financeira), a composição do benefício é a ponderação entre a meta escola e a meta disciplina
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