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Sistema prisional do Espírito Santo terá primeira formação em robótica para pessoas privadas de liberdade

A Secretaria da Justiça (Sejus) inicia, nesta quinta-feira (14), de forma inédita, o Curso de Robótica voltado para pessoas privadas de liberdade. ...

14/05/2026 às 17h27
Por: suporte Fonte: Secom Espírito Santo
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Foto: Reprodução/Secom Espírito Santo
Foto: Reprodução/Secom Espírito Santo

A Secretaria da Justiça (Sejus) inicia, nesta quinta-feira (14), de forma inédita, o Curso de Robótica voltado para pessoas privadas de liberdade. A iniciativa é resultado da parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) e visa ampliar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades na área.

Ao todo, serão ofertadas três turmas com 14 alunos cada, totalizando 42 internos atendidos. A capacitação integra a pesquisa de doutorado “Recompilando o Futuro: O Papel da Robótica e da Educação Ambiental na Capacitação de Indivíduos Privados de Liberdade”, desenvolvida pelo professor Fábio Ventorim Siqueira. O projeto tem como proposta utilizar a tecnologia e a educação como ferramentas de transformação social dentro do sistema prisional.

A Gerência de Educação da Sejus (GERED) é responsável pela articulação das ações educacionais no sistema prisional e pelo fortalecimento de projetos voltados à qualificação e ao desenvolvimento humano das pessoas privadas de liberdade.

De acordo com a gerente de Educação da Sejus, Silvia Garcia, além de promover o acesso ao conhecimento tecnológico e à inovação, o curso busca estimular habilidades como disciplina, concentração, trabalho em equipe e resolução de problemas. “A proposta também amplia as perspectivas de formação e inserção profissional dos participantes, incentivando a construção de novos projetos de vida”.

A aula inaugural do projeto foi realizada nesta quinta-feira (14). “O sistema prisional do Espírito Santo tem avançado cada vez mais no fortalecimento de políticas de ressocialização que acreditam no poder transformador da educação, da qualificação profissional e do conhecimento. A proposta do Curso de Robótica representa muito bem essa oportunidade ao despertar talentos, estimular o aprendizado e mostrar às pessoas privadas de liberdade que elas são capazes de construir novos caminhos por meio da educação e da tecnologia”, destacou Nelson Merçon.

O curso

O professor que conduz o Curso de Robótica na unidade prisional explica que a formação faz parte do produto educacional de uma pesquisa de doutorado, que ainda está em andamento. A pesquisa busca integrar educação ambiental, pensamento computacional e robótica educacional na formação de pessoas em privação de liberdade.

“Inicialmente, iremos trabalhar com os alunos um dos grandes desafios ambientais da sociedade contemporânea, que é a crescente produção de lixo. Nesse momento, também discutiremos como a tecnologia pode ser utilizada como aliada no enfrentamento desse problema ambiental”, explicou Fábio Ventorim Siqueira.

As aulas serão realizadas de segunda a sexta-feira, com carga horária total de 48 horas. “Em um segundo momento, serão trabalhadas as principais habilidades do pensamento computacional e à programação de computadores utilizando a ferramenta Scratch, uma linguagem visual baseada em blocos que facilita o aprendizado, inclusive para quem nunca teve contato com programação. Durante essa etapa, os alunos irão desenvolver pequenos projetos utilizando conceitos que são comuns em diversas linguagens de programação, como o uso de variáveis, condicionais, estruturas de repetição, entre outros”.

Os alunos também vão aprender a controlar componentes eletrônicos reais, como motores, LEDs e buzzer, inclusive de forma remota por meio da tecnologia Bluetooth. Durante a etapa final do curso, um protótipo de veículo controlado remotamente via Bluetooth será construído em sala de aula, utilizando componentes eletrônicos e materiais reaproveitados, como canos de PVC, raios de bicicleta, células de bateria e câmara de ar, mostrando que resíduos também podem ser transformados em soluções tecnológicas.

“Nossa proposta é oferecer aos estudantes uma experiência introdutória, prática e significativa. O objetivo não é formar especialistas em programação ou robótica, mas despertar o interesse pela aprendizagem tecnológica e mostrar que eles são capazes de aprender, construir projetos e desenvolver soluções mesmo sem conhecimento prévio na área”, concluiu o professor.

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