Em 8 de maio de 2025, a fumaça branca na chaminé da Capela Sistina anunciou a eleição do cardeal Robert Francis Prevost como o 267º papa da Igreja Católica, agora conhecido como Leão XIV. Além de ser o primeiro norte-americano a assumir o papado, o novo pontífice surpreendeu ao revelar sua fluência em português, uma habilidade que promete estreitar laços com os cerca de 230 milhões de falantes da língua, especialmente no Brasil, maior nação católica do mundo.
Nascido em Chicago, Estados Unidos, em 14 de setembro de 1955, Leão XIV construiu grande parte de sua trajetória eclesiástica na América Latina, com destaque para o Peru, onde atuou como missionário agostiniano por duas décadas. Sua proximidade com a região, especialmente com países vizinhos ao Brasil, como Peru e Bolívia, facilitou seu aprendizado do português. Fontes próximas ao Vaticano afirmam que Prevost estudou a língua de forma autodidata e a praticou em interações com comunidades lusófonas durante suas missões.
A fluência do papa em português foi destacada em sua primeira aparição pública na sacada da Basílica de São Pedro, quando pronunciou palavras em várias línguas, incluindo um caloroso “Obrigado” em português, dirigido aos fiéis brasileiros e portugueses presentes na Praça São Pedro. “É uma bênção poder falar diretamente com os povos em suas línguas nativas. A Igreja deve construir pontes, e a língua é uma delas”, declarou Leão XIV, segundo o jornal italiano La Repubblica.
Além do português, Leão XIV é poliglota, com domínio de espanhol, italiano, francês e inglês, além de ler em latim e alemão. Essa habilidade linguística reflete sua formação acadêmica robusta, que inclui um doutorado em direito canônico pela Pontifícia Universidade de Santo Tomás de Aquino, em Roma, e sua experiência global como líder da Ordem de Santo Agostinho.
No Brasil, a notícia de um papa fluente em português gerou entusiasmo. “É como se ele já fosse um pouco nosso”, disse Maria Aparecida Silva, fiel católica de São Paulo, em entrevista à TV local. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informou que Leão XIV já estava escalado para ser o pregador do retiro dos bispos brasileiros em abril de 2025, evento cancelado após a morte do papa Francisco. A expectativa é que o novo pontífice visite o Brasil em breve, possivelmente durante o Jubileu da Igreja, que se estende até janeiro de 2026.
A fluência em português também é vista como um trunfo estratégico para a Igreja Católica, que enfrenta desafios como a perda de fiéis para igrejas evangélicas em países lusófonos, especialmente no Brasil e em Angola. Analistas apontam que a capacidade de Leão XIV de se comunicar diretamente com essas comunidades pode fortalecer a presença católica. “Ele fala nossa língua, entende nossa cultura. Isso faz diferença”, afirmou o teólogo brasileiro Leonardo Boff em um artigo recente.
Sua eleição foi celebrada por sua postura moderada, que equilibra o progressismo social de Francisco com uma abordagem mais conservadora em questões doutrinárias, como diversidade de gênero.
Em seu primeiro discurso, Leão XIV reforçou sua visão de uma Igreja missionária e dialogante, citando Santo Agostinho: “Com vocês sou cristão, para vocês, bispo”. Sua habilidade em português, aliada a sua experiência na América Latina, posiciona-o como um líder capaz de conectar tradições milenares da Igreja com as demandas de um mundo globalizado.
Enquanto o mundo observa os primeiros passos do papado de Leão XIV, sua fluência em português já é um símbolo de proximidade com os fiéis lusófonos. Seja em homilias, viagens ou mensagens, o novo papa promete falar diretamente ao coração de milhões, sem a barreira da língua.