
Em um julgamento que mobilizou as comunidades de Itabirinha e Nova Belém, o Tribunal do Júri da Comarca de Mantena/MG condenou, na noite desta segunda-feira (05/05), Mônica Alves Bandeira a 20 anos de reclusão em regime fechado pelo homicídio doloso qualificado de Noerber Teodoro Lacerda, conhecido como "Ebinho". O crime hediondo, que envolveu o uso de fogo, ocorreu em 26 de março de 2024, em Itabirinha/MG.
A sessão do júri, que se iniciou às 9h30 e se estendeu até as 20h, foi marcada por intensa emoção e debates acalorados. Após a apresentação de testemunhas, o interrogatório da ré e a análise de provas documentais e imagens, os sete jurados acolheram integralmente a tese da acusação. Reconheceram a materialidade e a autoria do crime, bem como a qualificadora do emprego de fogo.
A promotoria do Ministério Público de Minas Gerais, juntamente com os advogados assistentes de acusação, Dr. Raony Fonseca Scheffer Pereira e Dr. Renato Rezende de Souza, sustentou de forma contundente a crueldade do crime e o histórico de violência da acusada. A juíza presidente do júri proferiu a sentença, fixando a pena em 20 anos de reclusão em regime inicial fechado, sem direito a apelar em liberdade.
Noerber Teodoro Lacerda, natural de Nova Belém/MG e trabalhador da Fazenda Três Irmãos, foi vítima de um ataque brutal. Segundo os autos, Mônica Alves Bandeira atraiu "Ebinho" até sua residência e, após feri-lo com um objeto cortante, ateou fogo em seu corpo. Mesmo com graves queimaduras em cerca de 35% da superfície corporal, a vítima conseguiu fugir e caminhar por mais de 500 metros até a casa de sua irmã, onde buscou socorro. Noerber resistiu por alguns dias, mas faleceu em 4 de abril de 2024, no Hospital Regional de Governador Valadares.
O crime causou profunda comoção nas cidades de Itabirinha e Nova Belém, cujas comunidades acompanharam atentamente o julgamento, buscando justiça para a vítima. Familiares de Noerber estiveram presentes durante toda a sessão, visivelmente emocionados com o veredito.
A condenação de Mônica Alves Bandeira levanta novamente a preocupação com sua periculosidade. A ré já respondeu a outros processos criminais e é investigada por possível envolvimento na morte de Archimedes Prudêncio de Oliveira, um idoso de 76 anos assassinado em 2022, também em Itabirinha, em circunstâncias de extrema violência.
Após a leitura da sentença, o advogado Raony Scheffer declarou: "Hoje, não celebramos a dor, mas sim a justiça. Ebinho foi vítima de uma barbárie. A resposta da sociedade veio por meio deste júri popular, que disse, de forma firme, que a vida humana tem valor."
O advogado Renato Rezende complementou: "Foi uma vitória da verdade. A atuação conjunta da acusação demonstrou, com provas, que não se tratava de um acidente, mas de um homicídio covarde. Esperamos que essa condenação sirva de alento à família e de exemplo para que crimes como esse não fiquem impunes."
Após um ano de espera e sofrimento, a família de Noerber Teodoro Lacerda recebeu a condenação como um momento de alívio. "Hoje foi um dia de luta, de dor, mas também de justiça. Ebinho era luz em nossa família e sua ausência jamais será preenchida. Mas saber que a verdade venceu nos traz um pouco de paz", expressou uma parente da vítima, visivelmente emocionada.
A condenação de Mônica Bandeira representa para as comunidades de Nova Belém e Itabirinha uma resposta da Justiça diante de um ato de extrema crueldade, reafirmando a importância da vida e da memória de Noerber, lembrado como um homem gentil, trabalhador e querido por todos. O caso de "Ebinho" permanecerá na memória coletiva das duas cidades.
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