
Um grito por socorro ecoa dos corredores de um hospital no interior de Minas Gerais, na divisa com o Espírito Santo. Um indígena do Povo Puri, internado desde o dia 2 de junho no Hospital São José e São Camilo, em Aimorés, estaria sem receber o tratamento médico adequado e aguarda uma transferência urgente que não acontece. A denúncia parte de sua esposa, que relata uma situação de descaso, abandono e discriminação, agravada pela ausência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI).
Segundo a esposa, que acompanha o marido, o paciente precisa ser transferido para um centro de maior complexidade em Colatina (ES) para receber o tratamento necessário. No entanto, desde sua internação, os únicos procedimentos realizados teriam sido um curativo e um exame de raio-x. A falta de ação efetiva coloca a vida do paciente em risco e evidencia uma grave falha no sistema de saúde.
A angústia da família é amplificada pelo que eles descrevem como um preconceito explícito. Em um desabafo emocionado, a esposa revela que a própria identificação oficial como indígena, que deveria garantir direitos e um atendimento diferenciado pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, parece ser a causa da negligência.
"Boa tarde, eu vou tentar explicar um pouco a situação pra você colocar também, acabar de acrescentar na matéria. Somos uns povos Puri, né? Nós somos indígenas, protocolado e registrado, e lá eles não tão tendo assistência, a gente não está tendo assistência [...] se a gente vai no hospital, a gente está tendo descaso. A gente, quando puxa o CPF da gente, já consta indígena, entendeu? E eles não tão aceitando, e está havendo esse descaso com a gente. Entendeu? Não só ele, como todos os indígenas que estão lá", declarou ela.
O relato aponta para uma violação de direitos fundamentais. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) prevê que a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) deve atuar de forma articulada com o Subsistema Indígena, garantindo que os pacientes sejam encaminhados e recebam o tratamento necessário em casos de média e alta complexidade. A responsabilidade de articular essa transferência e prestar o suporte necessário recai sobre a SESAI.
A família afirma que não há apenas um, mas "todos os indígenas que estão lá" enfrentando a mesma situação de desamparo. Eles clamam por ajuda imediata, tanto para a realização da transferência quanto para que os órgãos competentes, como a FUNAI e a SESAI, cumpram seu papel de proteger e assistir a população indígena.
Até o fechamento desta matéria, a reportagem busca um posicionamento oficial da direção do Hospital São José e São Camilo, da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) e da coordenação regional da FUNAI sobre as denúncias apresentadas.

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